Paulo, menino de rua
Nasceu sem saber de quem,
Cresceu sem saber por que
Andou sem saber por onde
Até um dia morrer.
Morrer pra ele não era nada
Sabia como era de cor
- Valei-me São Francisco
Ouviu um homem dizer
E pensou que, pra não sentir dor,
Devia dizer ao morrer.
Mas morreu foi dormindo
Sem saber se era bom ou ruim.
Morreu sem dizer nada
E nem pensou no Santo Chico.
A rua acordou assustada:
- O menino Paulo morreu!
Foi matado? Foi morrido?
Que diabo aconteceu?
O menino morreu foi dormindo
No frio da noite que fizera
Morreu feito anjo, sorrindo
Ou mostrando dente de fera.
Vivia ali, transitando
Sem ninguém nunca lhe olhar!
Mas como a vida é abusada,
Depois que Paulo morreu
Não quiseram levá-lo da rua
E ele que era filho dela
Agora a tem como sua.

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