Ela escreve com carvão
Coisas podres.
Suas palavras fedem.
Cheiram a batata vomitada.
A frango fora da geladeira
Por três dias.
Sua letra é preta,
Sua boca é preta,
Sua mão é preta.
Sua alma é preta.
Qual é a cor da letra preta?
É a cor escarniçada
É a ausência de cor, é o nada.
Ela chega em casa e se lava
Fica alva feito neve
Seus olhos doces negam
Tudo que sua mão escreve.
Ora, quem é que imaginaria
Que a pichadora revoltada
É aquela rica menina?

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